Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005 ····>

Voltando, após um loooooooongo hiato...
Doctor vel non doctor esse
Volta às aulas. Ainda ontem passei pela mais tradicional livraria jurídica da cidade a fim de adquirir o meu mais novo "tijolo", uma CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Estava eu com a Dona Patroa e nós dois encarapitados sobre minha pobre moto Titan, com bagagem sobrando para todos os lados (e eu nem tinha comprado o meu "tijolo" ainda). Lá estava eu tentando estacionar minha moto na ladeira da avenida onde fica a livraria, no esforço de fazer a motocicleta se equilibrar (na verdade, o que atrapalhava era a tranqueira que carregávamos) quando um funcionário, mui educadamente, me dirige a palavra: "- Doutor, por favor se utilize de nosso estacionamento".
Por causa da situação quase tragicômica em que me encontrava, surpreendi-me em ser chamado de doutor, eu, terceiro-anista ainda de Direito. Tudo bem, eu estava razoavelmente bem-vestido porque acabara de sair do trabalho, mas as circunstâncias do destino (perdi a hora pela manhã!) fizeram que eu estivesse com a barba por fazer. Entrei na loja, carregando uma pesada mochila a tiracolo, e logo perguntei pela obra que procurava. Estava lá, atualizada, um "tijolinho" considerável, tratando-se de um minicódigo.
Conferi, tudo OK, e já emendei a pergunta pelo preço. Confesso que já nã ia gostando muito quando um sujeito que pareceu ser o gerente se dirige à funcionária que me atendia e brada: "- Dá 20% de desconto ao Doutor!". Na verdade, ele me houvera interrompido quando ia indagar se davam prazo no cheque, algo que, com a maior cara-de-pau, fiz logo em seguida, fazer o quê. Preparativos para casamento são a receita mais infalível de quebradeira financeira que conheço.
Pois bem, não é que eu consegui prazo e desconto juntos (tá, tá... o slogan é daquele cartão de crédito dos postos Ipiranga...)? Será que os funcionários da livraria realmente creram que era eu já um advogado (ah, acho que meus vinte-e-nove-anos-quase-trinta tiveram um importante papel na história, assim como minha incipiente calvície)?
Seja como for, não gosto desta palavra: Doutor. Onde trabalho há um departamento jurídico com quase uma dúzia de advogados, e a nenhum deles, nem mesmo ao chefe e decano, dispenso o pronome de tratamento: chamo-os simplesmente pelo nome. Sendo o caso, que se ofendam. Eu mesmo farei questão de dispensar o título, se conseguir chegar ao diploma do curso de Direito.
Entre ser doutor ou não ser, fico com a alternativa B. Deixo o título para aqueles que, merecidamente, batalharam um doutorado acadêmico entremeado no mais das vezes por um penoso mestrado; a eles, os louros. Mesmo que isso me prive de um descontinho básico na livraria...








